A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) lançou, no início de setembro de 2025, uma campanha nacional para solicitar a inclusão de medicamentos para obesidade — especialmente os agonistas de GLP-1 — no SUS. A proposta conta com o apoio de diversas entidades importantes, como a ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e a Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia)
Elas destacam que, enquanto pacientes com hipertensão, diabetes, asma ou dislipidemia têm acesso ao tratamento gratuito, aqueles com obesidade estão sem acesso a terapias medicamentosas na rede pública. Nenhum fármaco para perda de peso foi incorporado até agora — incluindo os agonistas de GLP-1, mais conhecidos como “canetas emagrecedoras”
Além disso, nos últimos cinco anos, quatro medicamentos para tratar a obesidade foram avaliados pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) e todos tiveram a incorporação negada: orlistate, sibutramina, liraglutida e semaglutida
Segundo dados do Atlas Mundial da Obesidade de 2025, 31% dos adultos brasileiros têm obesidade; 68% têm sobrepeso. Se nada mudar, quase metade da população adulta estará obesa até 2044. O impacto econômico também é relevante: entre 2021 e 2030, os custos diretos associados podem chegar a US$ 1,8 bilhão, com perdas indiretas de até US$ 20 bilhões
Em 22 de agosto de 2025, a Conitec recomendou ao Ministério da Saúde não incorporar liraglutida e semaglutida ao SUS, considerando o elevado impacto financeiro, estimado em R$ 8 bilhões ao ano
Havia também uma preocupação com a necessidade de acompanhamento especializado, como suporte psicológico, o que complicaria a implementação em larga escala
Porém, acordos entre a Fiocruz e a EMS foram firmados para viabilizar a produção nacional dos medicamentos, o que poderia reduzir custos futuros
As entidades médicas expressaram forte crítica à recusa, classificando a decisão como de caráter “elitista”, pois restringe o acesso a tratamentos modernos a quem pode pagar por eles, excluindo pacientes da rede pública
Elas defendem que, embora os custos pareçam altos, a ausência de tratamento eficaz pode gerar despesas ainda maiores no futuro para o sistema de saúde público.


